quinta-feira, 7 de abril de 2011




“E O QUE É QUE ME FALTA FAZER MAIS?
SE O QUE EU FIZ ATÉ HOJE NINGUÉM FAZ!”


Eu inventei a canastra no baralho
Os amores, a saudade e a paixão,
Fui Juiz das causas do coração
De magos, bruxos e loucos fui atalho
Beijei bocas loucas no luar grisalho
Em Sansão de forças descomunais
No seu cabelo fui à tesoura voraz
Entreguei de João Batista na igreja
Sua cabeça a Salomé numa bandeja
“E o que é que me falta fazer mais?
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz!”

Fui gigolô de palavras tão perdidas
Fiz o tango que lançou Carlos Gardel
Levantei a grande Torre de Babel
E para minhas musas mais queridas
Suspendi um jardim de margaridas
Em Pasárgada pra Bandeira da paz
Apresentei as minhas credenciais
Arquitetei as Pirâmides de Gizé
Lendo o alcorão pra Maomé
E o que é que me falta fazer mais?
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz!”

Lutei contra os Gregos e os Troianos
Fui príncipe da princesa Daiana,
Camila Parker me levou pra cama
Dancei sozinho no baile dos insanos
Sem medo de covardes nem tiranos
Das senzalas fui o primeiro capataz
Deitei com mucamas, belas serviçais!
Com a Gretchen fiz filme pornô
Tendo Glauber Rocha como diretor
“E o que é que me falta fazer mais?
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz!”

Publiquei a Teoria da Relatividade
Fui à essência do perfume e do vinho
Botei pedra que empata o caminho
De Carlos Drummont de Andrade
Dei nome a minha querida cidade
E no Planeta dos Macacos geniais
Falei pra Matusalém de seus ancestrais
De Sulivan e Massadas fui parceiro,
Jackson ensinei a tocar Pandeiro.
“E o que é que me falta fazer mais?
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz!”

Desenhei o colorido da Arara
Na morena do açaí fiz um xodó
Ensinei Pinduca a dançar carimbó
Fundei a Banda Sayonara
E no delicioso sabor Marajoara
Criei os perfumes dos manguezais
Manejei com paixão os açaizais
Pra cuia eu inventei o tacacá
E pra pimenta, o cheiro do Pará.
“E o que é que me falta fazer mais?
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz!”

Voei nas asas do grande Carcará
Pra mostrar ao mundo seu valor
Com Caxangá toquei Pisa na Fulô
Comigo Alcione aprendeu a cantar
E a cozer o famoso arroz de cuxá
De PH criei as colunas sociais
E na Difusora o Programa Algo Mais
Pedreirense sério, esse não mente!
Mas do Brasil fiz Sarney presidente
“E o que é que me falta fazer mais?
Se o que eu fiz até hoje ninguém faz!”

Paul Getty S Nascimento
APL – Academia Pedreirense de Letras





terça-feira, 5 de abril de 2011

O Quarto Centenário



O QUARTO CENTENÁRIO

Por Marcos Galvão

Algumas pessoas se assustam com o vertiginoso crescimento da nossa cidade, principalmente no setor imobiliário; pena que a prestação dos serviços públicos não acompanhou tal crescimento e a qualidade de vida na nossa ilha caiu e muito nos últimos dez anos…
Hospitais superlotados e com péssimo atendimento (inclusive os particulares), trânsito caótico, buracos mil, sistema de segurança público falido, rede de ensino pública carente de vagas, rodoviária e aeroporto obsoletos, sistema de saneamento básico praticamente inexistente (fora a falta d’água quando rompe a adutora), desmatamento, falta de preservação e investimento nas poucas áreas de proteção ambiental, feiras que parecem chiqueiros, estradas que não oferecem segurança e não suportam um simples feriadão, praias poluídas, centro histórico que fede a mijo e cocô …

Nem vou falar dos municípios do interior porque senão…

Esse é o retrato da nossa cidade às vésperas dos seus tão alardeados 400 anos.

Ah! que saudade da nossa São Luís dos anos 80.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

SANTO DE CASA esse faz, milagre sim!


Bem, temos aqui uma vida, agora, que tal você ouvir o seu coração? Estou ouvindo o meu enquanto escrevo esse artigo, espero que você possa ouvir o seu também.”

                        Na maioria das rádios, cujo alcance é imediato, geralmente os programas locais costumam tocar músicas de cantores de vários cantos do Brasil, exceto local; sem se levar em conta de que temos músicas de qualidade produzida em abundância em nosso estado; o MARANHÃO.
                        Temos a mania de valorizar o que vem “de fora”, sobretudo o mercado fonográfico de outros estados e países. A própria imprensa local costuma divulgar lançamentos de CD’s e DVD’s de artistas nacionais, dando um espaço muito grande a obras de outros rincões, enquanto autores locais ralam muito para receber uma simples e humilde notinha. Quando em São Luís cheguei no início da década de 90, demasiadamente as nossas músicas eram executadas nas rádios e televisões, e os nossos artistas eram reverenciados e reconhecidos como verdadeiros Pop’s Star. Infelizmente hoje a situação é outra.
                        Se atentarmos para o noticiário local, principalmente no campo das artes, esbarramos num samba de uma nota só: falta patrocínio, falta patrocínio... O caminho do reconhecimento é árduo e moroso. Por vezes exige uma persistência que somente os que sobrevivem de música com muito amor alcançam. Outros acabam desistindo pelo caminho, movidos especialmente pela necessidade de exercer uma atividade que lhes dê o sustento. O governo municipal e estadual para comemorar o aniversário da cidade e o réveillon contrata artistas a custos altíssimos, cujo talento nas apresentações às vezes não consegue atingir as camadas populares, uma vez que aqui temos artistas tão bons, ou melhores, porém não é dado o valor que lhes é devido.
                        Contudo, não estamos cobrando dos outros uma atitude que nós mesmos não temos? Nós próprios somos ou não somos herdeiros e continuadores de uma mania que vem desde os tempos áureos do rádio brasileiro? A verdade é que a realidade hoje é bem diferente de antigamente, e o que impera nas rádios é o famoso “JABÁ” recheado de tantos ingredientes que até Deus duvida. Para quem não sabe, JABÁ, dentre outras coisas é quando uma pessoa paga para uma rádio tocar a sua música, ou a música de seu cliente, quando esta pessoa é o empresário de um artista. O resultado disso é o que se vê na maioria das rádios. Músicas (ruins) que tocam 10 a 20 vezes por dia. Aí o melhor desligar o rádio e ouvir um CD.
Em São Luís temos anualmente o Congresso de Música do Maranhão realizado pela Associação de Apoio à Música e à Arte - AMARTE, onde tem como objetivo mobilizar a classe artística maranhense para discutir assuntos diversos como: profissionalização do artista, ritmos maranhenses e suas fusões, direitos autorais etc. Os próprios artistas são uníssonos em dizer, que após o término do congresso, tudo o que foi dito e acordado nas palestras morre ali mesmo de forma prematura.
  “Feliz a região ou a cidade que TEM ARTISTA que a traduza com tal profundidade”.
O artista se eterniza todos os dias, em sua obra. Temos artistas de valores inestimáveis, e que representam a nossa cara, a nossa cultura, onde cantam e encantam as nossas belezas e riquezas naturais.
Temos urgentemente de fazer justiça e abrir uma exceção – valorizar a nossa terra e sua gente através de poesias e canções. Estas são um alento para quem nasceu e para os que vivem em determinado lugar, e de quebra ainda fornecem combustível para divulgação para aqueles que por um motivo ou outro se afastaram de suas raízes.
            A frase, atribuída a Jesus: “Ninguém é profeta em sua própria terra”, depois abrasileirada por “Santo de Casa Não Faz Milagres” não deve ser barreira para o incentivo cultural. O desafio é grande, mas devemos persistir sempre. Que tal começar a comparecer em nossos clubes, bares, restaurantes e casas de shows e aplaudir o artista local? SANTO DE CASA - ESSE FAZ MILAGRE, SIM!

Paul Getty S Nascimento
Academia Pedreirense de Letras

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