segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

CRÍTICA DE ARIANO SUASSUNA SOBRE O FORRÓ ATUAL (ELÉTRICO)

"Deus errou, limitou a inteligência e não limitou a burrice"
(Roberto Campos)
"A burrice é contagiosa – o talento, não."
(Agripino Grieca)

O texto é sensacional porque desmascara a lastimável situação em que se encontra hoje o estilo que já foi cantado por Luís Gonzaga, Marinês, Trio Nordestino, João do Vale entre outros.

 Veja abaixo o texto de Suassuna (1927-2014)

“Porém o culpado desta 'esculhambação' não é culpa exatamente das bandas, ou dos empresários que as financiam, já que na grande parte delas, cantores, músicos e bailarinos são meros empregados do cara que investe no grupo. O buraco é mais embaixo. E aí faço um paralelo com o turbo folk, um subgênero musical que surgiu na antiga Iugoslávia, quando o país estava esfacelando-se. Dilacerado por guerras étnicas, em pleno governo do tresloucado Slobodan Milosevic surgiu o turbo folk, mistura de pop, com música regional sérvia e oriental. As estrelas da turbo folk vestiam-se como se vestem as vocalistas das bandas de 'forró', parafraseando Luiz Gonzaga, as blusas terminavam muito cedo, as saias e shortes começavam muito tarde. 

Aqui o que se autodenomina "forró estilizado" "forró elétrico" continua de vento em popa. Tomou o lugar do forró autêntico nos principais arraiais juninos do Nordeste e também nos nossos carnavais. Sem falso moralismo, nem elitismo, um fenômeno lamentável, e merecedor de maior atenção. Quando um vocalista de uma banda de música popular, em plena praça pública, de uma grande cidade, com presença de autoridades competentes (e suas respectivas patroas) pergunta se tem 'rapariga na platéia', alguma coisa está fora de ordem. 

Quando canta uma canção (canção?!!!) que tem como tema uma transa de uma moça com dois rapazes (ao mesmo tempo), e o refrão é: 'E vou dá-lhe de cano de ferro / e toma cano de ferro!', alguma coisa está muito doente. Sem esquecer que uma juventude cuja cabeça é feita por tal tipo de música é a que vai tomar as rédeas do poder daqui a alguns poucos anos. (Ariano Suassuna).

Pois é senhores (as)... O que aconteceria se um articulista chamasse esses nomes com alguém? Com certeza seria processado, perderia seu espaço de expressão, e com muita razão. Por que então temos que conviver com essas porcarias, essas baboseiras, essas imbecilidades gritadas aos quatro ventos e que muitos querem nos forçar a escutar ‘à força’ quando equipam seus carros com aparelhos que muitas vezes custam mais que os próprios carros e transformam nossos ouvidos em latrinas?

Chega de desrespeito, chega de abuso para com o cidadão que paga seus impostos justamente para viver em um ambiente em que os direitos sejam respeitados. Esse forró atual não passa de lixo cultural, e lixo podre, da pior espécie, que não serve nem para reciclar. Parabéns a Suassuna pelo texto; esse eu gostaria de ter escrito.

Uma feliz semana a todos e um feliz carnaval 2015, fiquem com Deus e bem longe; mas longe mesmo, do lixo musical dessas bandas de forró atuais (elétricos).


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